2.9.15

Procissão Senhor Jesus dos Navegantes

No último domingo assisti pela terceira vez à Procissão do Senhor Jesus dos Navegantes em Paço d'Arcos. Desta vez a benção foi feita em pleno mar ali ao largo da Praia Velha, também conhecida como Praia dos Pescadores. Antigamente a benção era sempre feita no mar, depois passou a ser feita junto à marginal e houve tempos até em que nem se atravessava a marginal para o lado do mar. Mudam-se os padres, mudam-se as tradições.





1.9.15

"You're not you"

O título em português é "Ponto de viragem". É pena que tanto se perca na tradução, embora exista a relação do ponto de viragem na vida das várias personagens, em especial na vida de Bec, genialmente interpretada pela muito talentosa Emmy Rossum, a Fiona Gallagher de "Shameless" (versão USA). Uma jovem que anda à deriva, à procura de um rumo, apanhada numa espiral de auto-destruição. No fundo, Bec não sabe ser boa para si mesma. E é isso que ela aprende quando é contratada para cuidar de Kate, magnificamente interpretada por Hilary Swank, uma mulher de sucesso, tanto a nível profissional como pessoal; uma mulher a quem nada parece faltar, com uma vida equilibrada e com abundância que vê tudo desabar ao ser-lhe diagnosticada esclerose lateral amiotrófica. 

Bec aprende a cuidar de Kate e tenta suprir-lhe todas as faltas. Bec grita no lugar de Kate quando esta, já num estado avançado da sua doença degenerativa, não o consegue fazer. Existe uma força na relação entre as duas mulheres que vai além da amizade. Há um amor, uma entrega, uma partilha, que certamente poucos seres humanos irão alguma vez sentir nas suas vidas. 

No final, quando Kate pede a Bec para a deixar, Bec volta e fica presente no momento mais duro e terrível, o da morte de Kate. E é aí que finalmente percebemos a força intensa dessa jovem sem rumo. Estar presente no momento derradeiro é possivelmente das acções mais nobres que um ser humano pode ter por outro; não deixar alguém só no momento da sua morte é algo que muito poucas pessoas estão dispostas a fazer ou que conseguirão fazer.


23.8.15

caminhada

O dia ontem foi de caminhada. Eu e a minha bestie começámos no Cais do Sodré. Seguimos até às Docas em Alcântara onde fizémos paragem para almoçar. Logo a seguir ao almoço retomámos a marcha em direção a Belém onde apanhámos o ferry para a Trafaria. 



Nunca imaginei a degradação que caracteriza aquela zona na outra margem do Tejo. A zona ribeirinha embora tenha algumas esplanadas e restaurantes está votada a quase um completo abandono e por lá abundam o lixo e os restos e ruínas de tempos passados. 





O passeio, sempre a pé, continuou desde a estação fluvial à praia de São João. Descobri o percurso ciclável que se inicia na estação fluvial até às praias e conto um dia destes pegar na minha btwin e apanhar o ferry para pedalar esse percurso. 

Na praia, sentadas junto às escadas de madeira, deliciámo-nos com uma bebida fresca enquanto a areia fininha e macia nos acariciava os pés descalços. 




O regresso ao Cais do Sodré foi feito também a pé. Apesar do cansaço que a dada altura se apoderou das nossas pernas insistimos e conseguimos. 


21.8.15

tudo tem um fim

Vi, por fim, o final de "Six Feet Under". A 5ª temporada é espantosa. E o episódio final está muitíssimo bem concebido. Ainda estou a assimilar.


Fica o link para a cena final ao som de "Breath Me":

Six Feet Under Finale

16.8.15

chá e conversa

Na minha segunda saída de rua, novamente para a Gare do Oriente, tive a oportunidade de conversar com pessoas "novas". O mesmo sentido de solidão mas com muita gratidão. Foi curioso ver tanta gente, desta vez, a dirigir-se aos voluntários espontaneamente para conversarem ou pedirem chá ou , até mesmo, um par de meias.

Tanta gente com a vida em estilhaços, mas com tanta força e esperança de um dia conseguirem dar a volta e sentirem-se novamente gente. Existem até alguns talentos ocultos. Foram várias as pessoas que declamaram poemas. Um cantou canções de sua autoria. E nós, os voluntários, o público possível num espectáculo de humanidade, de compaixão e empatia.

No final da noite: os agradecimentos deles e os nossos.

E o meu desejo no regresso a casa: que a vida possa ser mais gentil com aquelas pessoas.

5.8.15

Thought Questions

O artigo original pode ser encontrado aqui.

3.8.15

conversas amigas

A minha candidatura a um projecto de voluntariado chamado "Um sem-abrigo um amigo" foi aceite. Tive a primeira formação, seguida de saída de rua, no sábado. Foi uma experiência muito rica e intensa. E foi assim que conversei pela primeira vez com pessoas que têm a rua como casa, pessoas que perderam tudo ou quase tudo, pessoas solitárias que tentam sobreviver cada dia que passa e que ainda têm um fio de esperança. 

Eu de facto não tenho muito em termos materiais, mas estou a conseguir pagar uma renda de um apartamento e tenho alimentação, e tenho um carro velho que me está a sugar o dinheiro das minhas poupanças com as suas sucessivas avarias. E tenho, também, uma mãe extraordinária e muito bons amigos. 

Essa riqueza emocional que possuo não está ao alcance de toda a gente. Há quem tenha perdido os amigos e a família pelas mais variadas circunstâncias e se encontre completamente só no mundo. Ao regressar a casa mais do que o dormir na rua doeu-me a constatação de haver tanta gente só. Haverá maior dor do que a solidão?

Espero conseguir levar algum contributo positivo a algumas destas pessoas que encontrar nas saídas de rua no âmbito do projecto. Ser útil acima de tudo é o que desejo. 

26.7.15

leituras

"E tu, por exemplo, se estivesses na mesma situação - a correr como um louco em redor de uma mesa - também não estarias assustado? Eu sim, digo, eu respondo que sim, que se corresse daquela maneira, que se estivesse com aquele medo a correr em redor de uma mesa, ficaria ainda com mais medo e por isso correria ainda mais, como um louco, para fugir, para não ser apanhado."

in "Short Movies", Gonçalo M. Tavares


Já há um tempo que andava curiosa em ler algo do Gonçalo M. Tavares. Ontem li o seu "Short Movies", gentilmente emprestado por um amigo. Gostei e quero ler mais. 

Hoje virei-me para o Afonso Cruz que, dos autores mais jovens, é para mim o que mais se destaca. A sua criatividade e imaginação sem limites, a sua sensibilidade pouco usual e a forma magistral como usa a linguagem tornam-no o melhor dos melhores nas letras contemporâneas. Recentemente devorei dele "O cultivo das flores de plástico" e "A Cruzada das Crianças - Vamos mudar o Mundo". Agora estou embrenhada na deliciosa leitura de "O pintor debaixo do lava-loiça.".


"Para mim é evidente: o amor aproxima as pessoas e ficamos todos do mesmo tamanho."

in "O pintor debaixo do lava-loiças", Afonso Cruz

24.7.15

desabafo

2015 vai de mal a pior. Depois de dois meses a funcionar maravilhosamente o carro deixou-me parada à entrada de uma rotunda. Desta vez foi a bomba da gasolina que avariou. Eu estou, naturalmente, cheia de expectativas para saber o que vai avariar de seguida. Costuma dizer-se que não há duas sem três mas aqui já ultrapassámos as três ao tempo!

Há muita coisa a funcionar mal e isto parece um novelo emaranhado, de tal modo, que parece impossível, para quem olha, voltar a enrolar o fio de lã num novo novelo todo direitinho.

Continuo a fazer parte da estatística de desempregados deste país. Vou analisar com atenção o CV (mais uma vez) e proceder a alterações. Tenho andado a abrir o leque das opções, mas para já posso afirmar que nenhuma opção fora da vertente do ensino deu frutos. Tenho em perspectiva uma opção mais radical, mas para já a ideia apenas ainda está a germinar.

Continuo a envolver-me romanticamente com pessoas indisponíveis aos mais variados níveis. Isso, na verdade, diz mais sobre mim do que das pessoas em questão. Uma amiga disse-me hoje: "mas tu já pensaste bem que se calhar tu é que não queres um compromisso?" E eu respondi que sim, que já pensara nisso e que o busílis da questão é esse; qualquer sessão de psicanálise chegaria à óbvia conclusão. 


O meu ex-namorado ao deixar-me alegou encontrar-se numa espiral. Recentemente, numa conversa telefónica, disse-me que se encontrava sem rumo como sempre. E eu pus-me a pensar que, tal como ele, eu também ando sem rumo, sem saber muito bem o que fazer à vida e como resolver todas as questões que tenho em mãos. Uma pessoa deveria ter, por regra, um desafio pela frente; eu tenho, pelo menos uns 5, mais coisa, menos coisa. O difícil é saber por onde começar. 

Há uns anos um amigo disse-me que eu estagnara. Na altura fiquei verdadeiramente chocada e ofendida. Eu? Estagnada? Eu que conseguira perder tanto peso, que saíra de casa da progenitora para um sítio meu, que tirara a carta de condução e que conseguira um carro? Eu, estagnada? Que diria esse meu amigo agora? Se na altura eu estava estagnada agora ele só poderá dizer que eu regredi a olhos vistos. 

Concluindo: sim, estou efectivamente fodida com a vida. 


12.7.15

...

Há cerca de quatro anos eu disse a uma pessoa que nunca desistiria dela. Foi, na altura, uma promessa dita com a maior honestidade da minha parte. Mas com o passar do tempo eu acabei por desistir dessa pessoa. Um telefonema inesperado recente confirmou-me que o ter quebrado essa minha promessa foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. Por vezes devemos saber desistir das pessoas que não nos acrescentam nada de positivo.

Por curiosidade fica o link para um artigo escrito pelo Marc e a Angel:

12 Things to Know Before Letting Go

Muse - NOS Alive 2015


Os Muse deram um bom concerto no dia 9 de julho no Passeio Marítimo de Algés. Abriram com a já esperada "Psycho" do mais recente álbum e terminaram, como já previra, com a épica "Knights of Cydonia". Pelo meio tocaram "Hysteria", "Our time is running out", "Madness", "Supremacy", "Starlight", só para mencionar algumas das preferidas. Do novo álbum tocaram pelo menos 5 faixas e devo admitir que já começo a achar a sonoridade de "Drones" mais interessante. 

O Matt Bellamy lançou o charme de costume e provou mais uma vez que é detentor de uma capacidade vocal como poucos. O Christopher, além de arrasar no baixo, prestou o já costumeiro backing vocals e o Dom arrasou por completo na bateria.


Foram, em suma, muito profissionais e tiveram uma atitude simpática e respeitosa para com o público. 

No final foi bom ver tanta gente com sorrisos tão abertos quanto o meu. 

4.7.15

Countdown para o Alive

O Optimus Alive é já para a semana. Vou no dia 9 ver os Muse. Vi-os anteriormente no Super Bock Super Rock e no Campo Pequeno e estou naturalmente aniosa por voltar a vê-los ao vivo. Não gosto de nenhuma das 4 músicas que ouvi do novo álbum, "Drones" e, por isso, espero conseguir ainda ouvir algumas da minhas preferidas antigas canções e não achar as novas tão aborrecidas.

Os Muse marcaram-me fortemente especialmente porque os ligo sempre a um período em que vivi emoções intensas e, em certa medida, caóticas. Mas todas as emoções são válidas. Ajudam-nos a lidar com determinadas situações em momentos específicos da nossa vida e, consequentemente, ajudam-nos a crescer, a sermos quem somos. Assim hei-de sempre recordar-me deles e desse período particular da minha vida com alguma afeição. 

Dos Muse espera-se, sem sombra de dúvidas, um grande concerto na próxima quinta-feira. 

Aqui fica "Map of the Problematique" que quase poderia ser uma canção que me definiria na perfeição.



2.7.15