2.4.18

sempre em frente

Esta será a primeira publicação de 2018 e muito tem acontecido. Fiz novo passeio cultural a Madrid na companhia dos amigos habituais. Visitámos a Art Madrid, confraternizamos com amigos de amigos e demos um salto à simpática vila El Escorial para visitar o Palácio. Madrid é sempre maravilhosa. E nunca, nunca, cansa.

Nas escolas tudo tem corrido bem. O trabalho é bastante. Há alturas em que parece que não vou conseguir dar conta do recado, mas tenho conseguido cumprir. O trabalho desenvolvido com as turmas tem sido bom e no 3.º período espero ainda conseguir fazer algumas coisas diferentes com todas as turmas.

Em janeiro deixei a turma de CEF. Foi uma decisão muito ponderada mas efetivamente os fatores negativos eram muito superiores aos positivos e achei que não precisava de me estar a sujeitar a tamanha violência. Julgo ter tomado a decisão certa, mesmo correndo o risco de nunca mais voltar a ser contratada para qualquer tipo de contrato na escola em questão. O que, percebi, não interessa mesmo nada.

Consegui no inicio de março, através da recomendação de um amigo, uma turma de nível B 1.2 no Cli (Centro de Línguas que funciona na Faculdade de Letras); e tem sido uma experiência fantástica.

Gozo de momento uns dias da interrupção da Páscoa e já consegui reunir-me com alguns amigos; ir a restaurantes vegetarianos que não conhecia e participei numa Tertúlia, que faz parte de um ciclo de Tertúlias, dinamizada por uma amiga.

Depois do mês de fevereiro sem dança regressei às aulas de Zumba em março.

Todos os dias tento fazer e dar o meu melhor. Todos os dias julgo que consigo colher algo positivo e resultado do caminho que decidi trilhar.

Sempre em frente.


26.12.17

das expetativas

Muitas vezes me disseram para não criar expetativas em relação às pessoas. Nunca soube muito bem como o fazer. Até que percebi que acabei por fazê-lo recentemente com uma mudança de postura da minha parte. Desliguei-me, desprendi-me e percebi que na verdade não espero nada dos outros. E é incrível o que isso me beneficiou. 

Há uns poucos anos tinha combinado com uma amiga um lanche em minha casa. Como não houve da parte dela nenhum telefonema ou mensagem a desmarcar o combinado, no dia eu preparei tudo e fiquei à espera. Passado um pouco da hora combinada resolvi ligar e fiquei a saber que a minha amiga afinal não vinha e que não tivera sequer a amabilidade de me informar previamente. Na altura fiquei muito aborrecida. 

Esta semana um amigo sugeriu irmos a um barzinho aqui perto. Acabou por me enviar mensagem a desejar Bom Natal sem fazer qualquer referência ao que havia sugerido antes. Nem liguei. 


Não esperar nada dos outros coloca-nos em grande vantagem: significa que tudo o que os outros venham a fazer é da responsabilidade deles apenas, a reação a isso é nossa e é isso que podemos controlar; se decidirmos não nos chatear, então não nos chatearemos. Se alguém tiver uma aitude boa para connosco, será maravilhoso; ganhamos o dia; se for o oposto, mais vale pensar que não vale a pena desperdiçarmos a nossa energia em ficar zangados. 

Há sempre alguém que nos vai deixar ficar mal; e nós iremos ter também atitudes menos boas em relação aos outros. It really works both ways. 



Basicamente percebi que quem gosta, quem se interessa genuinamente por nós, quem nos quer bem, estará lá para nós e até essas pessoas nos irão dececionar, mas isso não tem mal nenhum; há que desvalorizar. Numa outra ocasião receberemos algo melhor dessa mesma pessoa. 

Não vale a pena alimentar dramas. 

Feliz 2018!

21.12.17



Pausa letiva! Por fim. Terei alguns dias para relaxar e descansar. Já estão agendados alguns encontros com amigos. Ainda há alguns assuntos burocráticos a tratar, mas tudo a seu tempo. O importante agora é parar para re-energizar. 

Boas Festas!

13.12.17

quantos anos são necessários para curar um coração?

Foram necessários 7 anos para que eu cuidasse do meu coração. Todos os momentos maus foram necessários para este processo. Mas a esses junto também muitos bons e maravilhosos momentos com pessoas muito queridas e amigas. Quando olho para trás e revejo os erros cometidos penso que possivelmente faria tudo do mesmo modo, não porque ache que não me arrependo de nada; muito pelo contrário, arrependo-me até bastante de algumas opções e atitudes que tive. O que acho é que vivi tudo o que tinha efetivamente de viver para chegar aqui, agora, a este ponto.

Este sim é um ponto de viragem. Após 7 anos em que o meu contacto com o João foi reduzido ao mínimo: telefonemas anuais da parte dele e algumas mensagens pontuais de ambos, acabámos por trocar recentemente com mais regularidades emails e sms. 

Estivemos juntos, em grupo, por duas vezes recentemente e foi bom, muito bom. Foi bom estar com aquela pessoa que significou tanto para mim numa determinada altura da minha vida. E foi bom especialmente porque deixei de sentir ressentimentos em relação a ele. O que existe é um sentimento de amizade bom por ele porque na verdade ele é boa pessoa. Apenas não correspondia aos sentimentos que eu nutria por ele. Acontece. E isso de facto não o torna má pessoa. 

30.11.17

viagem relâmpago a terras algarvias

No fim de semana passado fiz uma viagem relâmpago ao Algarve. Parti no sábado pelas 8h23 da manhã e regressei no comboio das 17h05 que chegou a Lisboa pelas 21h30. Foi uma viagem muito cansativa, mas consegui avançar na correção de testes. No meio desse ponto de partida e de chegada ficaram as horas maravilhosas passadas com um dos meus amigos mais queridos. 

O nosso programa foi simples mas muito satisfatório: um almoço de petiscos no centro de Lagos, passeio à Fortaleza de Sagres, jantar e cinema em Portimão. No dia seguinte, um belo brunch com intervalo para um passeio na Praia da Luz. Antes de apanhar o comboio um passeio por Lagos para tirar algumas fotos.

Foi muito, muito bom. 

Cheguei a casa exausta mas muito satisfeita. 


A semana foi cansativa: juntei ao cansaço provocado pela viagem de comboio noites de sonos insuficiente. Mas o cômputo final é demasiado positivo para pensar em cansaços. 

Que venham mais viagens e mais fins de semana com gente querida!


28.11.17

dos sonhos

Tenho uma aluna muito especial. Apesar das suas limitações de diversas ordens expressa-se maravilhosamente bem por escrito, embora cometa muitos erros ortográficos e tenha uma sintaxe pobre. Mas os seus escritos revelam uma jovem de 15 anos que reflete profundamente sobre si, sobre os outros e sobre o mundo. Ajudei-a a criar um blogue. Agora aguardo com expectativa que ela se lance na escrita como nunca e que partilhe com o mundo o que lhe vai na alma. E no decorrer de todo este processo que consiga melhorar a ortografia para que os seus textos se tornem ainda mais ricos e, mais importante ainda, que ganhe confiança em si e que a sua autoestima cresça.  

21.11.17

tempo de mudança

Várias vezes pensei em tornar-me vegetariana. Perdi a conta às vezes em que o anunciei. A minha mãe nunca me levou a sério... até agora. Faz uma semana que não como carne. Isso não faz de mim vegetariana. É apenas o primeiro passo. Vou fazê-lo gradualmente. Primeiro deixo de comer carne. A seguir deixo de comer peixe e o último passo será deixar de comer laticínios e ovos. Lá chegarei, espero. 

Não tem sido complicado porque nos últimos anos o meu consumo de carne já havia sido bastante reduzido. E notava também que a digeria com muita dificuldade, especialmente carne vermelha. Deixar de comer o resto vai ser mais complicado e vai exigir de mim uma gestão muito equilibrada a nível da alimentação.

Já tenho muitas indicações do que posso acrescentar à minha alimentação, especialmente fontes de fibra e de proteína: grão de aveia e de cevada, trigo sarraceno, tofu, seitan, entre outros alimentos. 

É uma mudança extraordinária. 

14.11.17

em Portugal no século XXI

Tenho recebido várias mães, Encarregadas de Educação dos meus alunos. E tenho aprendido muito. Especialmente humildade. Falei recentemente com algumas das pessoas mais humildes que já conheci na vida, que desabafaram sobre as suas vidas difíceis relatando histórias e situações para me fazerem um enquadramento do que são as suas vidas. Tenho alunos cujas mães não leem nem escrevem. Tenho alunos cujas mães aquecem água em tachos para darem banho aos filhos. Em Portugal, no século XXI. 

12.11.17

os loucos vingar-se-ão


"Os Loucos Vingar-se-ão" é o título do livro de poesia de Filipa Borges. A Filipa foi minha aluna numa turma de 11.º  ano de Humanidades há cerca de 8 anos. Na primeira aula e nos primeiros segundos eu não percebi se aquela figura franzina, de cabelo curto e óculos, muito tímida, fugidia, era um rapazinho ou uma menina. Sempre a achei uma pessoa fascinante. Absolutamente singular e peculiar. Com uma visão muito diferente do mundo e de tudo. Com uma riqueza interior que brota e brota e não se esgota. Intensa, perspicaz, provocadora. A Filipa é uma excelente autora, escritora, poetisa, artista. Toda ela respira arte, toda ela é arte e criação.  

Na sexta-feira tive o enorme prazer e privilégio de assistir ao lançamento do livro na Sociedade Nacional de Belas Artes. Conversei um pouco com a Filipa. Dei-lhe os parabéns e reforcei o grande apreço e orgulho que sinto por ela. 

Deixo-vos um excerto de uma obra intensa, que nasceu das vísceras, que perturba e que no seu âmago é bela, bela, bela. 

"De tocha em punho, assim se prepara
O incêndio nas infra-estruturas da sanidade
E, subitamente, alastra um vermelho vivo
Afluente da revolta titânica
Maculando o chão branco do asilo

São psiquiatras ensanguentados
Esquartejados pela ilusão da normalidade"

in "Os Loucos Vingar-se-ão", Filipa Borges

9.11.17

abrindo o coração

Na semana passada, ao terminar uma aula com a minha DT, reparei que tinha uma folha A4 dobrada enfiada na mochila. Sabia que não me pertencia. Percorri o corredor e subi as escadas a ler a mensagem e sorri de imediato. Por alguns momentos pensei de quem poderia ser a mensagem e por fim percebi que só poderia ser da minha aluna Evelise, uma menina de 15 anos com necessidades educativas especiais. 

Apesar dos muitos erros de ortografia e da pobre síntaxe, a riqueza do texto é inegável. Há também uma coerência e uma lógica que muito me surpreendeu numa aluna com as suas dificuldades a nível cognitivo. 


Hoje recebi a terceira mensagem (a da foto) e conto receber muitas mais. Fiz-lhe esse pedido e ela disse que sim, depois de me dar um abraço apertado. 


27.10.17

o retomar da escrita: ponto de interrogação


Perdi ontem algum tempo a ler os escritos no blogue Exercício de Escrita e fiquei pasmada por afinal estar lá tanta coisa. Não tinha ideia disso. Julgava que apenas havia meia dúzia de posts. Reli tudo o que escrevi e o que os outros colaboradores escreveram e pus-me a pensar se não será uma ótima ideia retomar a escrita.

Desde que me lembro que gosto de escrever. Sempre tive diários e cadernos onde passava parte do tempo a escrever e a escrevinhar sobre mim, sobre os outros, a inventar histórias, a usar a realidade para inventar essas histórias que tanto queria escrever. 


Infelizmente nunca escrevi tão bem como gostaria. E por essa razão, e outras, fui desistindo da escrita. Fui desistindo das histórias, acabando por nunca me empenhar a fundo na escrita. Por vezes tenho pena pois tenho a certeza de que se tivesse sido mais constante estaria a escrever coisas fantásticas nesta altura. Mas a verdade é que se também tivesse continuado a desenhar e a pintar por esta altura estaria a criar obras de arte bastante aceitáveis. Não dá para me empenhar em tudo. Acho eu. 

Mas o regresso à escrita pode ser possível e quem sabe daqui a uns tempos ao fazer nova avaliação não fique satisfeita com os resultados. Quem sabe?


17.10.17

but not tonight


Nos últimos dias têm tocado continuamente os álbuns Black Celebration, Music for the Masses e Violator no carro enquanto me desloco de escola para escola. Esta música em particular (do Black Celebration) sempre foi uma das minhas preferidas. Hoje em dia diz-me tanto como nunca antes. 




15.10.17

Mcr I love you


Fez ontem 20 anos que empreendi na maior aventura da minha vida: a ida para Manchester por um período de cerca de 9 meses. De outubro de 1997 a julho de 1998 vivi o equivalente a uma vida. São tantas e tão boas as memórias. A foto que aqui coloco não é desse período; esta foi tirada no verão de 2011, após os motins. É a entrada para a Town Hall e a faixa onde se pode ler "Nós amamos Manchester" foi a mensagem pós-motins que se espalhou por toda a cidade. A cidade encontrava-se muito fragilizada e a reação das pessoas foi a melhor possível. Tudo voltou à normalidade o mais rápido possível e foi com estas palavras que se recuperou a dignidade de uma cidade fantástica; herança da revolução industrial mas com lugar no mundo como uma das cidades mais modernas e vibrantes da atualidade. 

Foram tantos os sítios que visitei: Macclesfield, Wigan, Blackpool, Lincoln, York, Chester, Liverpool, entre outros. Mas é das pessoas que trago as melhores lembranças: a Mrs de Souza, a avó que nunca tive,  a Margarita e o David, as minhas amigas austríacas e alemãs, os professores no City College, o meu amigo paquistanês na loja onde revelava as fotos, o carteiro que me entregava as cartas na rua, o pessoal dos correios que já sabiam que ia enviar cartas para Portugal, os motoristas dos autocarros que me davam free rides e tantas outras pessoas anónimas que foram sempre simpáticas e gentis. 



Parte de mim ficou lá. Sinto-me lá mais em casa do que em casa. O meu coração é mancuniano, disso não tenho a menor dúvida. 


sta viagem