29.6.13

absolutamente fabulosa!



Esta semana o meu ego foi alimentado por vários dos meus colegas. O que posso dizer é que é muito agradável vermos o nosso desempenho, o nosso trabalho e o nosso esforço reconhecidos por bons profissionais. O diretor de turma com o qual trabalhei disse-me que se fosse ele a "mandar nisto tudo" que no próximo ano me elegia para ser novamente a sua secretária. A minha coordenadora de departamento da escola básica que, por diversas vezes, me demonstrou a sua simpatia, passa a vida a enaltecer qualidades minhas, como a simpatia, junto dos colegas desta escola e da secundária, afirmando que eu sou a pessoa mais afável e mais simpática do secundário. Outro colega hoje disse-me que gosta da minha postura e rematou: "precisamos de pessoas assim".


Eu só tenho pena que o Ministério da Educação, o Ministro da Educação, o Primeiro Ministro e o Governo deste país não partilhem dos mesmos bons pensamentos. Se assim fosse pessoas como eu, dedicadas, empenhadas e responsáveis (porque eu sei que o sou e faço o meu trabalho o melhor que posso e sei, tentanto sempre ser e fazer melhor a cada ano que passa) teriam a garantia de um emprego e condições dignas de trabalho e seriam reconhecidas e eventualmente recompensadas por isso. 

Mas soube bem, muito bem mesmo, saber-me tão apreciada por estas pessoas que também aprecio e admiro. Profissionais que dedicam uma boa parte das suas vidas ao ensino, formando e moldando os jovens deste país para, no futuro, termos bons médicos, bons arquitectos, bons professores e muitos outros bons  profissionais nas mais diversas áreas e, também importante, termos pessoas de valor e de carácter.

Embora ache que este agrupamento tem muitas falhas e que funciona mal em muitos aspectos posso seguramente afirmar que nunca antes senti o meu desempenho tão reconhecido como este ano. E estou verdadeiramente grata por isso. Não é à toa que me sinto absolutamente fabulosa! :-D

26.6.13

balões de hélio

Os últimos dias têm sido repletos de bons momentos com outros tantos de algum stresse e muito cansaço. O ano letivo aproxima-se do fim e com ele a incerteza em relação ao próximo. Para já afasto as minhas preocupações e tento tanto quanto possível fazer o trabalho que ainda tenho pela frente o melhor que sei e posso. As vigilâncias têm decorrido sem problemas. As duas reuniões da secundária estão despachadas, ata escrita, entregue e aprovada. Faltam agora as cinco da básica. O curso intensivo de verão do 7.º ano levou alguns ajustes e por essa razão não tem corrido tão bem como o esperado: tive de alterar dias de aulas por causa de sobreposição de serviço e falha de comunicação de várias partes, acabando por ficar com menos uma aula do que o inicialmente previsto. Segue-se para a semana o curso intensivo do 9.º ano e desta espero não ter tantas atribulações. As aulas particulares têm sofrido também alguns ajustes, mas felizmente arranjei maneira de colmatar e compensar essas falhas.

O ânimo surge nas conversas animadas com colegas, nos bocadinhos de um café com os colegas mais próximos, nas trocas de ideias sobre livros e assuntos em comum. E num papel escrito a lápis por uma colega numa folha de rascunho que dizia o seguinte:

"Pensamentos são como balões de hélio; se não estiverem presos ao chão voam até os perdermos de vista. E se os perdermos de vista acabamos engodados no próprio entendimento."

E no meio de tudo isto a ideia, o pensamento que me prende ao chão é o de que eu não sou uma pessoa dada aos outros. Sou uma pessoa distante e demasiado fechada; encerro-me em mim própria como se o resto do mundo não existisse. Diria que estou engodada em mim própria.


23.6.13

banalidades pelo cano abaixo

Numa sociedade que se pretendia mais humana e mais evoluída somos volta e meia confrontados com notícias que revelam a pouca humanidade existente em nós assim como revelam o ser básico e primitivo que somos, verdadeiramente digno de piedade ou de ser apedrejado até à morte. Nos últimos meses duas notícias semelhantes envolveram bebés cujas mães decidiram que, não os querendo, a melhor forma de se livrarem dos novos empecilhos seria deitá-los cano abaixo. Em maio na China tivémos direito a imagens de vídeo exclusivas de um bebé a ser resgatado de um cano do esgoto. Agora em junho tivémos imagens fotográficas de outro bebé num canto diferente do globo e também retirado de um cano de esgoto. Ambos recém-nascidos, ambos repudiados pelas próprias mães, as  mesmas mulheres que os carregaram 9 meses e que os deram à luz, as mulheres que se esperava amarem-nos, alimentarem-nos e protegerem-nos. Os bebés nos dias de hoje, em pleno século XXI, são atirados pelos canos como qualquer dejeto indesejado. Eu não sei o que pensar sobre isto.

22.6.13

banalidades

Uma mulher russa morreu há dias numa praia em Itália. O corpo permaneceu coberto por um plástico à beira mar um par de horas até que as autoridades competentes o fossem resgatar. O meu horror perante esta notícia foi ter visto que os veraneantes que nessa praia se encontravam continuaram as suas atividades como se fosse perfeitamente normal haver uma pessoa morta, coberta por um plástico, à beira mar numa praia. Um casal de namorados continuava a trocar beijos e carícias a escassos metros do corpo. Uma senhora passeava de biquini à beira mar quase tropeçando no corpo que ali se encontrava coberto, um pai e um filho jogavam raquetes e presumo que algumas bolas terão feito ricochete na veraneante russa morta à beira mar. Eu não conseguia acreditar no que os meus olhos viam e no que os meus ouvidos ouviam.

O conceito de pornografia da morte não me é estranho mas o desrespeito atroz perante a morte de alguém é algo que não consigo apreender. A morte não se tornou banal na nossa sociedade, o que se tornou banal foi a falta de respeito e a falta de valores agora transversal a todas as gerações.

Os "shoppings" das relações humanas

Li num blogue recentemente algo do género: "As redes sociais são os shoppings das relações humanas". Após uma sonora gargalhada pus-me a pensar sobre o assunto. Também recentemente fui testemunha de dois acontecimentos em redes sociais que ilustram a citação anterior. E as duas coisas culminam numa ideia sobre a qual me tenho vindo a debruçar há anos: as relações humanas, especialmente as amorosas, são obscenamente descartáveis. Contudo, achamos nós, está tudo bem com esse estado das coisas.

Há tempos fiquei a saber que uma amiga se tinha divorciado. Tempos depois reparei que o seu estado civil se alterara na rede social onde é costume comunicarmos. Pouco depois o estado civil do seu marido também se alterou assim como a foto de perfil deste: em vez de uma pessoa (ele próprio) agora havia duas pessoas no mesmo espaço fotográfico: ele e a nova cara metade que, poderíamos nós pensar, foi encontrada em qualquer shopping na berra. Muito recentemente aconteceu uma situação semelhante com outro casal amigo: divorciaram-se, os estados civis alteraram-se e a foto de perfil da minha amiga deixou de ser apenas a dela para albergar também a sua nova cara-metade.

Ponto um: um perfil define-nos individualmente por isso eu nunca conseguirei compreender as pessoas que nas suas fotos de perfil em redes sociais colocam a sua foto mais a de outra pessoa. Mas isto vem da parte de uma pessoa que tem uma foto de perfil de uma pintura do Tacheles... o que para muitos poderá ser igualmente incompreensível. Adiante!

Ponto dois: embora possa compreender a alegria de um novo amor, a esperança de um futuro feliz junto de uma nova cara metade, não consigo evitar pensar no balde de água fria que isso possa significar para a ex-cara-metade. Para mim foi!

Ponto três: esta mania de acharmos que as redes sociais são uma extensão das nossas vidas privadas podem trazer-nos alguns dissabores futuros. Uma coisa é partilhar momentos, alegrias e tristezas com amigos e (des)conhecidos, por exemplo no Facebook, outra coisa é por a nu sem qualquer tipo de pudor a nossa intimidade.

Cabe sem sombra de dúvida a cada um de nós agir em conformidade com aquilo em que acreditamos sem contudo perder o respeito por nós próprios e pelos outros. Isso, sim, a fundação de qualquer relação.

21.6.13

WWZ

Afinal qual a solução para combater uma epidemia zombie? Ao longo do filme o herói interpretado por Brad Pitt, Gerry, um enviado especial das Nações Unidas empreende numa missão para descobrir a fonte da contaminação e sua cura. O final é, no mínimo, surpreendente. A cura está longe de ser descoberta, mas existe uma solução e é aí que reside a meu ver uma boa parte do interesse suscitado pelo mais recente filme do realizador Marc Forster. O filme proporciona-nos umas boas duas horas de entretenimento puro com fantásticos efeitos especiais e muita acção sem momentos mortos.


20.6.13

Be in love with your life

Ora aqui está uma máxima a ter em mente todos os dias!

Photo

Ainda acrescentaria: be in love with yourself every single day.

18.6.13

Before Midnight

Julie Delpy e Ethan Hawke juntaram-se de novo, desta em Before Midnight e novamente dirigidos por Richard Linklater. Passaram-se nove anos e vamos encontrar o par romântico de Before Sunrise e Before Sunset, casados, com duas filhas a passar férias nas Ilhas Gregas. Tudo indicia um cenário idílico mas ao longo do filme somos confrontados com o desgaste da relação, as incertezas, as acusações inauditas. Tudo é posto a nu numa noite, antes da meia-noite. A capacidade de diálogo deste par é abismal e a intimidade já existente nos filmes anteriores é deslumbrante neste novo filme. Jesse e Céline não precisam de se tocar para demonstrar a enorme cumplicidade e intimidade que os une. Muito do que não vimos no decorrer do tempo que separa este filme do anterior é apresentado através dos diálogos entre os dois. E é aí que são postos em evidência os problemas do casal, comuns a tantos casais reais. Before Midnight é um filme apaixonante e íntimo, absolutamente maravilhoso tal como os seus antecessores.



17.6.13

17 de junho de 2013

Não foi de ânimo leve que tomei a decisão de aderir a esta greve geral de professores. Pensei muito nas suas implicações. Mas de facto reclamo o meu direito ao trabalho, ao respeito e à dignidade.

15.6.13

Como sobreviver no Apocalipse Zombie

É sabido que o universo dos zombies me fascina e que uma das minhas maiores preocupações é saber como sobreviver no Apocalipse Zombie. A resposta chegou-me, não através do Universo, mas através de um sonho esta noite. No meu sonho basta dar uma trinca a um zombie e ele fica calmo e sem vontade de dar dentadas ou comer humanos. Mas convém tomarmos precauções: devemos tentar dar essa trinca exclusiva quando o irmão zombie se encontrar de costas; assim não somos apanhados por eles e evitamos ser mordidos primeiro. Deste modo é perfeitamente possível conviver com eles harmoniosamente.  Não  há necessidade de cenas violentas e sanguinolentas; nada de cabeças decepadas ou membros cortados, ou estacas no coração ou facas espetadas no cérebro. A forma de actuação é apanhar o zombie desprevenido e dar-lhe uma dentada. Segundo o meu sonho não ficavamos infectados, muito possivelmente porque a nossa saliva possui uma qualquer substância que permite acalmar os zombies. Perfeito! Não há que recear o Apocalipse Zombie.

Tenho ideia que me irei safar bem melhor do que o Brad Pitt em WWZ.


13.6.13

As últimas das últimas

Estou satisfeitíssima! Esta semana tenho estado a cumprir todos os objectivos a que me propus: concluí as correções dos testes do 8.º até 4ª; preparei a avaliação do 10.º até 5ª (hoje, portanto) e iniciei a preparação para a redação do meu relatório de avaliação de desempenho. Para tal já dei uma vista de olhos a um relatório antigo e dei uma vista de olhos ao Projecto Educativo. Até domingo conto ter o relatório pronto para o entregar sem falta dia 17, 2ª feira. 

O final deste ano letivo tem sido muito conturbado. As sucessivas greves às avaliações têm levado a que as nossas reuniões sejam reconvocadas e novamente adiadas. Há grande expetativa em relação a 2ª feira, dia de greve geral de professores. Face a este panorama o agrupamento optou por convocar todos os professores da escola para a vigilância do exame nacional, excetuando obviamente os de Português. 

Todos os alunos serão aceites a exame exactamente por não terem ainda saído as suas notas. 

Agora é tarde para recuar e espero que todos nós, professores, estejamos juntos nesta luta e nesta tomada de posição: precisamos de um governo e de um ministério da educação que esteja disposto a dialogar e que tome efetivamente decisões e aplique medidas que visem uma melhoria da nossa situação assim como o bem comum a todos. 

Achei piada ao Nuno Crato, uma vergonha como ministro, afirmar que não tendo sido ele a convocar esta greve que não tinha também nada de remarcar novas datas de exames. Com tal declaração eu apenas posso concluir que aqueles que acusam os professores de prejudicarem os alunos deveriam também acusar o governo e o ministro da educação pela sua des-responsabilização perante uma situação tão delicada.

E apenas um aparte: não deixa de ser curioso que eu enquanto professora contratada, com horário apenas de 14h e outro colega também contratado com 17h sejamos dos professores do agrupamento com mais vigilâncias marcadas nos exames desta primeira semana. Ele 4 (mais coadjuvância) e eu 4! Sempre me disseram que as vigilâncias de exames eram proporcionais ao número de horas no horário... Mas deve ser a proporção ao contrário! E aindam dizem o primeiro ministro e o ministro da educação que os professores contratados não são professores, são candidatos ao concurso nacional de professores!

10.6.13

últimas

Passada uma semana do xilique que me deu em pleno Continente posso afirmar seguramente que me sinto bem de saúde. Ligeiramente cansada, mas bem. Todos os dias tomo o meu suplemento de ferro. Quase todos os dias de manhã bebo o meu sumo de laranja acabadinho de espremer. O estômago também anda melhor desde que tomo a medicação. Isto agora é sempre a melhorar.

O final do ano letivo tem sido atribulado. Estou ainda em fase de correções de testes: a concluir os das turmas de 8.º ano. Afinal acabei por ser eu a corrigi-los. As avaliações de 3 das minhas 4 turmas estão feitas. Uma reunião de avaliação foi adiada. A de amanhã ainda é uma incógnita. Na próxima semana tenho mais duas. É esperar para ver o que acontece.

As aulas privadas vão de vento em popa. Os alunos têm trabalhado com bastante empenho e já vou notando alguns progressos. Tento tanto quanto possível trabalhar a competência linguística oral; afinal de contas o objetivo de toda e qualquer língua é a comunicação. A expressão escrita também não é descurada, especialmente no que diz respeito a emails. No todo tem sido um trabalho bem interessante.

Com o tempo espero conseguir ainda mais alunos.

Não tenho, infelizmente, dedicado tempo nenhum ao exercício físico e já faz tempo que peguei  na bicicleta pela última vez. Aulas terminadas e espero contrariar esta tendência negativa. Mexer-me faz-me falta e faz-me bem.

2.6.13

E se eu morresse?

Coloquei-me essa questão no sábado, enquanto aguardava no São Francisco Xavier os resultados de exames e análises após ter desmaiado no Continente poucas horas antes enquanto andava às compras. "E se eu tivesse morrido? Como seria? Quais as consequências? Quem choraria a minha morte? Quem sentiria a minha falta?"

Além destas questões filosóficas preocupava-me a pilha de testes por corrigir e as avaliações finais que deveria preparar este fim de semana e que por razões óbvias tiveram de ser adiadas. Os testes felizmente consegui corrigir quase todos.

A minha mãe sem dúvida seria a pessoa mais afectada por tal acontecimento. As restantes pessoas sentiriam isso como mais um acontecimento inevitável, que o é sem dúvida, e umas sentiriam mais a minha morte do que outras.

Este episódio, cujos exames e análises acabaram por revelar estar tudo normal, foi indicado pelo excelente médico que me atendeu como sendo um episódio vagal; ao que parece o culpado é o nervo vago e tal síncope deve-se à falta de oxigénio no cérebro e a uma baixa abrupta da tensão arterial assim como uma desaceleração do pulso. Perdi a visão, senti suores frios e dei por mim a adormecer literalmente. O estado de inconsciência foi, ao que parece, breve, segundo os relatos dos que prontamente me socorreram.

Lembrei-me do meu irmão, cuja repentina e violenta morte aos 24 anos, foi um choque para todos. Ainda hoje encontro amigos dele que sentem a sua falta e cujos olhos se enchem de lágrimas quando dele se lembram. E lembro-me sempre das palavras de um dos seus amigos: "O Mário só terá morrido verdadeiramente quando a última pessoa que o amava tiver morrido." Assim será. 

Presumo que este episódio seja um aviso do meu corpo de que algo não está bem. Estarei atenta aos sinais visíveis de stresse, cansaço e outras alterações no meu estado de saúde. Afinal de contas ainda há muita coisa a fazer. Para já há que pensar numa semana repleta de horas de trabalho, entregas de testes e avaliações finais e reuniões. Depois há que pensar em todas as coisas que ainda quero fazer nesta vida.