29.7.13

leituras do fantástico

Acabei por adiar a leitura dos livros de Richard Zimler e optei por me dedicar às Crónicas de Gelo e Fogo de George R. R. Martin (estou a fazer a colecção de livros que acompanha semanalmente a Visão e o Expresso). Estou quase no final do segundo volume do primeiro livro e confesso-me maravilhada. Uma amiga já me havia dito que para literatura de ficção de fantasia estes livros estavam acima da média no que respeita a qualidade da escrita. E de facto pude eu mesma comprovar isso, embora esteja a ler uma tradução e não o original. 

O universo complexo dos Sete Reinos é fascinante. A minha Casa preferida é a Casa Stark, os nortenhos. Imagino-me perfeitamente a viver em Winterfell e a ter também como companheiro leal um lobo gigante, ao qual chamaria, obviamente, Inverno. Infelizmente os Stark não são grandes estrategas. Regem-se por padrões morais, familiares e de dever elevados mas isso não é o suficiente para os manter vivos num mundo em que a guerra pelo poder vale tudo. Os Lannister são, além de astuciosos, terrivelmente maquiavélicos e conseguem tudo o que querem pela sede de poder. Apesar de detestar a Casa Lannister admiro Tyrion, o Duende, que compensa através do seu raciocínio lógico e rápido a sua deformação e incapacidade física. E gosto de Jon Snow, o bastardo de Ned Stark, que julgo ainda terá um papel bastante importante na história. Com o desaparecimento de quase todos os Stark resta saber se ele recuperará Winterfell no futuro.

Nada como continuar a ler para descobrir isso e outras coisas. Nomeadamente se  Joffrey e a terrível Cersei terão o merecido fim sangrento que já tantas vezes imaginei. Veremos!

Em paralelo estou a ler Frankenstein de Mary Shelley. O que sempre admirei em Frankenstein  foi o facto de ter sido escrito por uma mulher numa altura em que a literatura era do domínio exclusivo masculino. Não é por acaso que a obra quando publicada pela primeira vez em 1818 não tenha sido atribuída à autora. O prefácio dessa primeira edição foi escrito pelo marido da autora, Percy Bysshe Shelly. Os temas da ciência e da criação de um ser assim como da tecnologia eram também do domínio masculino. Fascina-me a narrativa repleta de  descrições negras e macabras com alusões a Paradise Lost de Milton.

Tenho leitura para me entreter por boas semanas!

24.7.13

Misfits - um novo conceito de super-herói

Fiquei fã da série britânica Misfits. Concluí o visionamento das duas primeiras temporadas e estou curiosa em saber como serão as seguintes. A série apresenta uma nova perspectiva do conceito de super-herói na pele dos jovens Alisha, Kelly, Simon, Curtis e Nathan, que após uma violenta tempestade, desenvolveram super-poderes. O interessante é a forma como estes jovens utilizam os seus poderes; enquanto  adolescentes imaturos sem qualquer tipo de responsabilidades não existe inicialmente um propósito muito claro para a utilização dos poderes, mas no decorrer da história os jovens vêem-se forçados a usar cada qual o seu poder específico para poderem livrar-se de situações perigosas e imprevistas.

A série está repleta de cenas ousadas e linguagem forte. Afinal o ambiente retratado é o de jovens sem rumo e entregues a si próprios. A evolução das personagens é interessante e há em todos os episódios algumas cenas muito bem conseguidas com um toque de humor negro. Outro aspecto interessante é o de se irem descobrindo a pouco e pouco outras personagens, também envolvidas na tempestade, que acabaram por desenvolver super-poderes. Há toda uma panóplia de super-poderes: há quem ande sobre água como Jesus, há quem se tele-transporte, há quem consiga controlar todo e qualquer produto lácteo, há quem consiga curar pessoas doentes e assim por diante. Só por estes exemplos se pode confirmar a variedade de super-poderes existentes na série, que alteraram as vidas dessas pessoas assim como a forma como se relacionam. São heróis modernos, muito diferentes da concepção de herói a que estamos habituados, mas não deixam de o ser. 

Ao longo das várias temporadas houve saídas e entradas de actores, o que é uma pena porque o grupo inicial era francamente bom. O Channel 4 vai fazer uma quinta temporada que será também a temporada final.

22.7.13

geeks e super-heróis

Para ajudar a passar as muitas horas a que sou forçada a ficar em casa por causa das obras de renovação do tecto tenho aproveitado para ler e também para ver séries. Comecei pelas séries 5 e 6 de The Big Bang Theory e para quem conhece aquele grupinho de geeks poderá adivinhar as muitas gargalhadas que dei. Agora passei para um registo completamente diferente. Vi hoje o primeiro episódio da primeira temporada de Misfits. E fiquei fã do grupo de delinquentes, que após atingidos por um raio durante uma tempestade de granizo, desenvolvem super-poderes.

Aqui fica o trailer de Misfits para abrir o apetite a quem ainda não conhece a série.



19.7.13

leituras múltiplas



Rainy Days and Mondays by Tonilouise


Recentemente terminei a leitura de Quartos Imperiais de Bret Easton Ellis. Uma desilusão tremenda. Achei o livro francamente mau. Confesso que havia criado elevadas expectativas pois o anterior lido dele, Lunar Park, é um livro verdadeiramente surpreendente e muito bem escrito. Este é uma narrativa sem interesse cujas personagens são algumas das que já conhecemos de Menos que Zero. O livro faz pensar um pouco em Glamorama e American Psycho, mas sem a qualidade de nenhum dos dois. A ver se o ponho à venda no OLX!

O Elefante Evapora-se de Murakami é uma delícia. Os contos são por vezes verdadeiramente mágicos e alguns até mesmo desconcertantes. Tanta imaginação e criatividade contidas naquelas páginas!

Também adiantei algumas páginas na leitura de Frankenstein de Mary Shelley, que já iniciara em anos anteriores, julgo que pelo menos duas vezes, mas acabava sempre por pôr o livro de parte ao fim das primeiras páginas. Contudo, parece que é desta que levo a leitura avante.

Durante o verão conto fazer mais leituras. Eis o que tenho em mente: Dom Quixote de Cervantes, Anna Karenina e War and Peace, ambos de Tolstoi; e Hunting Midnight, Angelic Darkness e Guardian of the Dawn, todos de Richard Zimler.

18.7.13

voice recognition lift

Demasiado bom para não partilhar!

17.7.13

tecto novo

Há umas semanas pingava água do tecto para o chão da sala. Por fim lá se conseguiu contactar o dono do andar de cima e, após algumas cenas macacas, lá se chegou a um acordo para a substituição do tecto falso em madeira desta casa. O meu senhorio optou desta vez por novo tecto falso mas de pladur. As obras iniciaram hoje, o meu segundo dia de férias. Nos dias anteriores andei a tirar toda a quinquilharia possível da sala para o quarto. Aspirei e enrolei tapetes. Tudo de modo a deixar o máximo de espaço liberto na sala para os homens fazerem os seus trabalhos. A gata não anda nada satisfeita. Quando entraram ficou a olhar para eles de soslaio tentando entender tamanha intromissão no sossessogo do seu lar. Está aqui ao lado deitada no seu espacinho da secretária e volta e meia mexe as orelhas ou levanta a cabeça quando o som do berbequim ou do martelo se torna mais incomodativo. Vamos manter-nos calmas apesar do nosso lar em desalinho nos próximos 4 a 5 dias.

15.7.13

Depeche Mode@OptimusAlive'13

And when our worlds they fall apart  
When the walls come tumbling in  
Though we may deserve it  
It will be worth it

Halo - Depeche Mode



Os Depeche Mode deram um excelente concerto ontem no passeio marítimo de Algés em mais uma etapa do Optimus Alive. Os rapazes estão cheios de energia e continuam profissionais de alta qualidade.

Abriram com Welcome to my world do mais recente álbum e terminaram com, a esperada, Never let me down again. Pelo meio foi possível pularmos, dançarmos e cantarmos ao som de Enjoy the silence, Barrel of a gun, Black Celebration, A question of time, Personal Jesus, Walking in my shoes, I feel you, Precious, Just can't get enough, entre outras.

Para mim houve três surpresas no alinhamento que fizeram as minhas delícias: Shake the Disease, Home e Halo!

Dave Gahan percorreu o palco de uma ponta à outra lançando charme como de costume. Martin Gore e Andrew Fletcher assumiram a postura discreta que já lhes é característica.

Eu lembrei-me muitas vezes do meu irmão e do JV e da sua alegria enquanto pulavam e gritavam "São os gajos do poster!" no concerto em Alvalade em 1992. O tempo não volta atrás. Mas há a certeza de termos em nós momentos que são verdadeiros tesouros e doces lembranças e que fazem de nós aquilo que somos hoje. Por isso estou grata. 

Segue-se o magnífico concerto na íntegra. 


11.7.13

always keep a positive vibe

Estive indecisa até hoje. Não me apetecia dar tanto dinheiro pelo bilhete do Optimus Alive'13 para ir ver Depeche Mode. E eis que o Universo conspirou a meu favor: um aluno tinha um bilhete extra para vender por um preço mais simpático. Não pensei duas vezes. 

Reach out and touch faith! :-D



9.7.13

envelhece-se por partes

"Uma pessoa envelhece lentamente: primeiro envelhece o seu gosto pela vida e pelas pessoas, sabes, pouco a pouco torna-se tudo tão real, conhece o significado das coisas, tudo se repete tão terrível e fastidiosamente. Isso é também velhice. Quando já sabe que um corpo não é mais que um corpo. (...) Depois envelhece o seu corpo; nem tudo ao mesmo tempo, não, primeiro envelhecem os olhos, ou as pernas, o estômago, ou o coração. Uma pessoa envelhece assim, por partes. A seguir, de repente, começa a envelhecer a alma: porque por mais enfraquecido e decrépito que seja o corpo, a alma ainda está repleta de desejos e de recordações, busca e deleita-se, deseja o prazer. E quando acaba esse desejo de prazer, nada mais resta que as recordações, ou a vaidade; e, então é que se envelhece de verdade, fatal e definitivamente. Um dia acordas e esfregas os olhos: já não sabes porque acordaste."

in As velas ardem até ao fim, Sándor Márai

Excellent piece of advice!


8.7.13

... o desejo de ser outro...

"Mas no fundo da tua alma escondia-se uma emoção convulsiva - o desejo de ser diferente daquilo que eras. É a maior tragédia, com que o destino pode castigar o homem. O desejo de ser outro, diferente daquilo que somos: não pode arder um desejo mais doloroso no coração humano. Porque não é possível suportar a vida de outra maneira, apenas sabendo que nos conformamos com aquilo que significamos para nós próprios e para o mundo. Temos de nos conformar com aquilo que somos e de ter consciência, quando nos conformamos, de que em troca dessa sabedoria, não recebemos elogios da vida, não nos põem no peito nenhuma condecoração por sabermos e aceitarmos que somos vaidosos ou egoístas, carecas e barrigudos - não, temos de saber que por nada disso recebemos recompensas, nem louvores. Temos de suportar, o segredo é isso. Temos de suportar o nosso carácter, o nosso temperamento, já que os seus defeitos, egoísmos e avidez, não os mudam nem a experiência, nem a compreensão. Temos de suportar que os nossos desejos não tenham plena repercussão no mundo. Temos de suportar que as pessoas que amamos, não nos amem, ou que não nos amem como gostaríamos. Temos de suportar a traição e a infidelidade, e o que é o mais difícil entre todas as tarefas humanas, temos de suportar a superioridade moral ou intelectual de uma outra pessoa."

in As velas ardem até ao fim, Sándor Márai

antes só!






Eu diria que sim. Embora estar só não seja a primeira opção ou a opção preferencial. Mas bem vistas as coisas ou é ou não é e isto funciona de ambas as partes. Infelizmente anda por aí muita gente confusa a fazer-se a si infeliz e, pior ainda, a fazer os outros infelizes. Eu, pela minha parte prefiro ser "desinfeliz" e felizmente ninguém me pode acusar de andar a causar  a infelicidade alheia!

4.7.13

o Bruno morreu

O Bruno não era meu amigo. Viviamos no mesmo prédio. Conhecia-o desde pequeno. Era mais novo do que eu. Tudo indicava que o Bruno teria uma vida plena e abastada. Pelo menos a família poderia proporcionar-lhe uma educação que muitos outros apenas poderiam sonhar. Mas o Bruno morreu aos 35 anos de idade depois de uma vida de drogas e de outros excessos. Caíu na rua e assim ficou retido na memória de quem o conheceu. A sua mãe constatou: "Estou sozinha. Completamente sozinha." 

Como custa olhar os olhos de uma mãe que sofre a perda de um filho. É um olhar que nos rasga a alma. Embora o Bruno não fosse meu amigo e embora eu não professe nenhuma religião em particular ainda assim desejo paz à sua alma. E paz de espírito igualmente para a sua mãe. Agora, sozinha.

2.7.13

emaranhado de leituras

Concluí encontrar-me numa situação de promiscuidade literária. Estou a ler três livros bem distintos em temas e estilos. As velas ardem até ao fim do húngaro Sándor Márai, Dentro do Segredo - Uma viagem na Coreia do Norte de José Luís Peixoto e o clássico de Jane Austen Pride and Prejudice. Queria, a par destes, estar a ler também O Elefante evapora-se de Haruki Murakami, mas decidi acabar pelo menos um dos outros primeiro. No entanto, já fui à estante resgatar Quartos Imperiais de Bret Easton Ellis que aguarda pacientemente, em cima da mesinha de cabeceira, a sua vez.

O livro de Sándor Márai é muito poético. O de Peixoto revela-nos uma, por vezes,  surpreendente Coreia do Norte. E Pride and Prejudice tem o toque de ironia velada que caracteriza os livros de Jane Austen. Têm sido, até à data, leituras muito aprazíveis.